segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Utopias e distopias - Luis Fernando Verissimo

Todas as utopias imaginadas até hoje acabaram em distopias, ou tinham na sua origem um defeito que as condenava. A primeira, que deu nome às várias fantasias de um mundo perfeito que viriam depois, foi inventada por Sir Thomas Morus em 1516.
Dizem que ele se inspirou nas descobertas recentes do Novo Mundo, e mais especificamente do Brasil, para descrever sua sociedade ideal, que significaria um renascimento para a humanidade, livre dos vícios do mundo antigo. Na Utopia de Morus, o direito à educação e à saúde seria universal, a diversidade religiosa seria tolerada e a propriedade privada, proibida.
O governo seria exercido por um príncipe eleito que poderia ser substituído se mostrasse alguma tendência para a tirania e as leis seriam tão simples, que dispensariam a existência de advogados. Mas para que tudo isto funcionasse, Morus prescrevia dois escravos para cada família, recrutados entre criminosos e prisioneiros de guerra. Além disso, o príncipe deveria sempre ser homem e as mulheres teriam menos direitos do que os homens. Morus tirou o nome da sua sociedade perfeita da palavra grega para “lugar nenhum”, o que de saída já significava que ela só poderia existir mesmo na sua imaginação.
Platão imaginou uma República idílica em que os governantes seriam filósofos, ou os filósofos governantes. Nem ele nem os outros filósofos gregos da sua época se importavam muito com o fato de viverem numa sociedade escravocrata. Em Candide , Voltaire colocou sua sociedade ideal, onde haveria muitas escolas mas nenhuma prisão, em El Dorado, mas Candide é menos uma visão de um mundo perfeito do que uma sátira da ingenuidade humana.
Marx e Engels e outros pensadores previram um futuro redentor em que a emancipação da classe trabalhadora traria igualdade e justiça para todos. O sonho acabou no totalitarismo soviético e na sua demolição. Até John Lennon, na canção Imagine, propôs sua Utopia, na qual não haveria, entre outros atrasos, violência e religião. Ele mesmo foi vítima da violência, enquanto no mundo todo e cada vez mais as pessoas se entregam a religiões e se matam por elas.
Quando surgiu e se popularizou o automóvel, anunciou-se uma utopia possível. No futuro previsto, os carros ofereceriam transporte rápido e lazer inédito em estradas magnetizadas para guiá-los mesmo sem motorista. Isso se os carros não voassem, ou se não houvesse um helicóptero em cada garagem. Nada disso aconteceu. Foi outra utopia que pifou. Hoje vivemos em meio à sua negação, em engarrafamentos intermináveis, em chacinas nas estradas e num caos que só aumenta, sem solução à vista. Mais uma vez, deu distopia.
 Utopia x Distopia - Belle Hendges

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Embasbacados - Luis Fernando Verissimo

A versão oficial da conquista do Novo Mundo pelos europeus é que tudo começou com a chegada ao que viria a ser o México do espanhol Hernán Cortéz, que embasbacou o império asteca antes de derrotá-lo, facilmente, assoviando, nas armas. Os nativos nunca tinham visto um cavalo, o que dirá mosquetes e outros instrumentos de guerra, e sucumbiram ao poder de fogo e ao garbo dos espanhóis. O que explicaria a relativa docilidade do imperador Montezuma diante dos invasores.
Não foi bem assim. Com a esquadra de Cortéz viajou, além de um exército, um notário real, cuja função era assegurar que a posse das novas terras pela Espanha obedecesse a todos os tramites legais – da Espanha. A rendição de Montezuma fez parte do embasbacamento que precedeu a chacina. Uma cultura fundada na cerimônia como a asteca teve seu primeiro encontro com uma cultura legalista e não resistiu. Um império de gestos rígidos mostrou-se impotente diante de um império de palavras maleáveis e foi enrolado pelo jargão jurídico antes de perder a guerra e a terra.
Em toda a conquista da América repetiu-se a formalidade da leitura do “Requerimento”, que proclamava a posse da terra pela Coroa espanhola e a transformação dos nativos em seus súditos. Se os nativos não estivessem presentes na leitura do “Requerimento”, não importava: o notário estava lá e daria fé. 
Cristóvão Colombo declarou formalmente diante de índios caribenhos que tomava posse das suas ilhas para o rei da Espanha “y no me fué contradicho”, como ele mesmo escreveu depois. Argumentar que ninguém ali poderia contradizê-lo porque nenhum nativo tinha ideia do que ele estava dizendo seria apelar para o bom senso, algo sem nenhuma majestade histórica. A conquista europeia da América deixou, entre outras, a tradição da lei como instrumento de enrolação.
Em toda a América persiste a mesma divisão entre brancos e índios dos tempos de Cortéz e Montezuma. De vez em quando um se recusa a ser embasbacado e tenta contradizer a hipocrisia reinante, mas nunca vai longe. 

Asas - Luis Fernando Verissimo

Uma antiga controvérsia literária: em que tipo de inseto Kafka tinha, afinal, transformado Gregor Samsa, em A Metamorfose? Na história do Kafka, um dia Gregor Samsa acorda de um sono inquietante e se vê transformado num monstruoso... O que, exatamente? Convencionou-se que o desafortunado Gregor acordara transformado numa grande barata. Vladimir Nabokov concluiu que o inseto era um grande besouro, e estranhou que Kafka ignorasse que os besouros têm asas. Se o inseto do Kafka pudesse sair voando a história teria outro sentido. Ou mais um sentido, além de todos os outros. Nabokov dedica sua interpretação às pessoas que têm asas, mas não sabem. 
Entre as muitas interpretações de A Metamorfose a que Nabokov rejeita com mais desdém é a freudiana, segundo a qual a origem da história é a relação difícil do Kafka com seu pai, e seu sentimento de culpa. Freud era uma das principais antipatias de Nabokov. E elas não eram poucas. 
Metamorfoses atrás de interpretações, freudianas ou não, existem desde antes de Ovídio, na mitologia e na literatura. Num livro sobre o tema - chamado Fantastic Metamorphoses, Other Worlds - Marina Warner descreve, por exemplo, a transformação sofrida pela palavra e o conceito de “zumbi” através dos anos. Segundo Warner, “Zombie” apareceu em inglês pela primeira vez numa História do Brasil em três volumes escrita por Robert Southey e publicada na Inglaterra entre 1810 e 1819. Southey relata a revolta de escravos e índios contra os colonizadores, liderados por “Zombi”, que identificam com um Deus angolano, e que acaba barbaramente sacrificado no fim da revolta. 
Depois da derrota do “Zombi” descrito por Southey, que inspirou protestos e poemas na Europa, ganhou corpo a versão oficial de que “Zumbi” era o nome do Diabo na língua dos africanos, o primeiro passo para transformar o mártir não em herói venerável mas em assombração. De líder libertário de pessoas que preferiram morrer a ser escravos o nome foi lentamente se metamorfizando até significar um corpo vazio, sem emoção ou discernimento, a carcaça do que fora um dia. O zumbi de agora é o zumbi de então, vencido e eviscerado.
Numa palestra sobre A Metamorfose Nabokov não propõe nenhuma interpretação, pelo menos nenhuma com uma inegável marca pessoal. Nota certas reincidências no texto – como o número três (as três portas do quarto de Gregor, os três membros da família mais três empregados, os três hospedes com suas barbas) –, mas recomenda que não se dê muita importância à coincidência, que é mais técnica do que simbólica. A fantasia de Kafka tinha sua lógica, e o que pode ser mais lógico do que o velho trio, tese, antítese e síntese? Acima de tudo se deveria evitar qualquer mito proposto por seguidores do “feiticeiro de Viena”, que era como Nabokov chamava Freud. Para Nabokov, interpretações além da realidade do texto eram desnecessárias. Afinal, nós todos já tivemos a sensação de acordar, estranhamente, como Gregor Samsa. “Acordar como um inseto não é muito diferente do que acordar como Napoleão ou George Washington” diz Nabokov. E conta: “Um dia conheci um homem que acordou como o Imperador do Brasil”. Infelizmente, Nabokov morreu antes de poder desenvolver o personagem, que já estava pronto, com asas e tudo. 

Recitando Darío - Mario Vargas Llosa

Em minhas caminhadas matinais deste outono madrilhenho, que parece não se despedir nunca do verão, vêm-me logo à memória longos poemas de Rubén Darío que aprendi há mais de 60 anos. Onde se esconderam eles todo esse tempo? No inconsciente, segundo a descoberta (ou invenção) genial de Sigmund Freud. Naquela adolescência distante, li muito o inventor da psicanálise, estimulado pelo dr. Guerra, nosso professor de psicologia em San Marcos, que ilustrava as teorias freudianas com os romances de Dostoievski e tinha uma voz tão fraquinha que mal a ouvíamos, uma voz que parecia o trinado de um passarinho.
Não voltei a ler Freud até os anos 1960, quando, em Londres, a amizade com Max Hernández, que estava fazendo sua análise profissional no Instituto Tavistock, me ressuscitou a curiosidade por seus livros. Eram fecundos aqueles sábados londrinos que combinavam psicanálise, visitas a sebo e revolução anarquista, porque Max e eu nos reuníamos toda semana com uns anarquistas britânicos, saídos não se sabe de onde e desencantados com o Ocidente, que sonhavam que a ideologia de Bakunin e Kropotkin, morta na Europa, ressuscitaria em algum lugar distante, talvez entre o Amazonas e o Orinoco...
Descobri Darío num seminário dado por Luis Alberto Sánchez a alunos de doutorado da Faculdade de Letras, sobre quando o poeta voltou ao Peru do exílio do exílio na ditadura do general Odría, em 1955 ou 1956. Sánchez era um professor magnífico, não tão rigoroso como Porras Barrenechea (que, em suas aulas sobre fontes históricas, trazia sempre dados de pesquisas pessoais), mas ameno, estimulante, cheio de anedotas, fofocas e comentários atualizados que transformavam seu seminário em uma coisa viva, acesa. De suas aulas, saíamos correndo para a velha biblioteca empoeirada da San Marcos em busca dos livros que ele havia explicado.
Darío foi o poeta do qual mais versos memorizei naqueles anos de leituras frenéticas. Seu poema que mais admiro, Responso a Verlaine, tive de ler com dicionário à mão, para saber o significado de “sistro” (um chocalho antigo), “propileu’ (porta monumental com colunas), “canéfora” (escultura de mulher), “náiade” (ninfa das fontes), “acanto” (planta), palavrinhas misteriosas que soavam tão bonitas. Lembro-me de uma discussão apocalíptica, em Paris, com o poeta chileno Enrique Lihn, que havia publicado na revista Casa de las Américas um poema esplêndido e ferozmente injusto, zombando das princesas e dos cisnes de Darío e propondo que, armados de garfo e faca, comêssemos de uma vez por todas o cordeiro pascal... 
Lihn e muitos poetas de então se irritavam com as firulas modernistas dos poetas darianos, misturas indescritíveis de Grécia clássica e França oitocentista, urnas de cristal, violoncelos, “mãos de marquês”, senhoritas de decotes grandes e pés pequenos. Queriam que a poesia fosse menos decorativa e suntuária, que expressasse mais intimamente a existência e não se dispersasse frivolamente na adoração do francês. Equivocaram-se ao julgar Darío assim. Ele também podia ser íntimo, profundo e pessoal, como em Lo Fatal ou em Francisca Sánchez, Acompanhe-me. Essa eu cheguei a conhecer, levado à sua casinha de Las Ventas por meu professor na Complutense Antonio Oliver Belmás. Era uma velhinha imortal, miúda, magrinha, lenço na cabeça, que jamais se permitia tomar liberdades com o grande morto, chamando-o sempre de “dom Rubén”. Quando Darío partiu em sua louca aventura para os Estados Unidos, da qual não regressaria, ela voltou a seu povoado castelhano com todo o arquivo de dom Rubén. Perguntei-lhe como Darío e José Santos Chocano se davam. “Dom Rubén tinha muito medo dele”, respondeu. Dizia que “qualquer dia, ele é capaz de entrar em minha casa e matar-me”. De fato, a correspondência entre ambos está cheia de cartas nas quais o peruano Santos exigia, com ameaças de morte, que o nicaraguense Darío escrevesse artigos elogiosos sobre os livros que Santos lhe dedicava.
Darío quebrou o provincianismo que asfixiava a poesia de nossa língua, poesia que, desde os grandes tempos clássicos de Quevedo e Góngora, se havia apequenado e retraído a temas locais, e saiu para enfrentar o mundo inteiro e tomar posse dele – precisamente com aquelas mesclas e combinações que somente um homem de periferia pode fazer, alguém que, diferentemente de um poeta francês, britânico ou alemão, não escrevia condicionado pelo peso da tradição. A extraordinária liberdade e audácia com que Darío criou sua própria tradição, com essas alianças livres nas quais deuses gregos dançam o minueto com jovens coquetes dos salões do Rei Sol, libertou a poesia de língua espanhola do regionalismo e devolveu-a ao universalismo dos clássicos. 
Graças a ele, foram possíveis, em parte, as comoções telúricas e épicas do Neruda do Canto Geral, a cativante poesia de Vallejo e, no outro extremo, o internacionalismo de Borges. Este último reconheceu isso de maneira irrefutável: “Seu trabalho não terminou e nem terminará”, escreveu. “Os que alguma vez o combatemos, hoje o estamos continuando”. Por tudo isso, Sergio Ramírez titulou o excelente ensaio que lhe dedicou Darío, O Libertador.
Deslumbrado por Darío, decidi fazer minha tese de bacharelato sobre seus contos. Meus dois assessores, Luis Alberto Sánchez e Augusto Tamayo, me faziam revisar e revisar as citações e exigiam de mim precisões bibliográficas. Mas seria muito pior mais tarde, quando o orientador de minha tese de doutorado sobre García Márquez, o mestre Alonso Zamora Vicente, passou anos exigindo que eu fizesse novas correções e desse novos detalhes na tese, em intermináveis e deliciosos passeios pela Madri dos Astúrias. As teses universitárias então eram importantes; agora, não é raro que as plagiem, e os plagiadores, em vez de serem repreendidos e cobertos de vergonha, recebem desagravos e felicitações.
Durante todo meu passeio desta manhã, recitei em voz baixa Era um Ar Suave..., o poema inicial de Cantos de Vida e Esperança, e recitei pelo menos três vezes o Responso a Verlaine. Se andar mais devagar, talvez consiga recitá-lo uma quarta vez.
Em seu seminário, Luis Alberto Sánchez contou que havia comprado por alguns francos, em um livreiro de rua de Paris, o exemplar de Prosas Profanas dedicado de próprio punho por Rubén Dário a Remy de Gourmont, a quem tanto admirava. O livro não tinha indícios de haver sido folheado. Portanto, o então célebre ensaísta francês, hoje esquecido, talvez nem se houvesse inteirado da homenagem que lhe prestava, do outro lado do mundo, aquele nicaraguense desconhecido com seu livro, mais importante que todos os de Gourmont reunidos.
Não creio que, passado um século e meio, Remy de Gourmont ainda tenha muitos leitores, nem mesmo que seus livros sejam encontrados em livrarias francesas. Seu admirador distante, enquanto isso, continua sendo lido e estudado nos dois lados do oceano e, estou seguro, ganha a cada dia leitores tão apaixonados quanto eu no vasto mundo da língua espanhola. Parece então escutar o fantasma de Darío, onde quer que se encontre, que, como a travessa Eulália, ri, ri, ri... 

TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Via-Láctea - XIII - Olavo Bilac

Laerte

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.
– Olavo Bilac, do poema ‘Via-Láctea – XIII (1888), no livro “Antologia: poesias”. 
Kid Abelha - Ouvir Estrelas


As Mutucas - Paulo Sant'Ana



Conta a lenda que certa vez, em Farroupilha, na serra gaúcha, um prefeito baixou um decreto excêntrico, levando em conta a acirrada rivalidade existente no município entre os torcedores colorados e gremistas.
Então, o prefeito, que era fanático gremista, baixou o decreto de que todo torcedor colorado que morresse na cidade seria enterrado no cemitério local a 10 metros de profundidade.
Justificativa escrita do decreto: no fundo, no fundo, os colorados são boa gente, afirmava o prefeito.
Gargalo, como se sabe, é o colo da garrafa. O dicionário registra a palavra gargalo como garganta, obstáculo, empecilho.
Uma vez, vi uma mulher que era dada a muitas conquistas amorosas dizer o seguinte: “Vou passar a maioria dos meus namorados no gargalo, vou me dedicar doravante somente aos que ultrapassarem esse obstáculo”.
Como se nota, gargalo também quer dizer peneira.
Gozado é que o prefixo gar, a julgar pelo que estou expondo, é quase sempre ligado a garganta: é o caso de gargarejo e até de certa forma do verbo garrular, que quer dizer tagarelar, parolar, e também o indivíduo, quando é muito gabola e falador, é classificado de garganta.
Concluo me recordando de que as palavras gargalhar e garrafa derivam dessa mesma origem.
Uma vez, escrevi que a palavra sonoramente mais bela do idioma português é pirilampo. Fui investigar a fundo a origem dessa palavra e vi que piri é uma espécie de junco e que se fundiu com lampo, que quer dizer relâmpago.
Ou seja, cheguei à conclusão de que pirilampo teve origem em relâmpago quando bate no junco.
O pirilampo, portanto, é o mesmo que vagalume, mas aí já pode sobrevir outra história, afinal lume é mesmo o quê?
Ia me esquecendo de dizer que tenho horror a cobras. Não sei de onde veio a expressão cobras e lagartos: porque não tenho medo de lagartos, só de cobras. E é claro que só tenho medo de cobras porque muitas delas são venenosas.
Não sei distinguir as cobras venenosas das não venenosas. Para mim, são todas iguais: as jararacas, as corais, as cascavéis, as jiboias, todas. Por sinal, tem um ditado que acho muito interessante: “Depois que mataram a jiboia, jararaca deita e rola”. É uma festa na selva.
Eu tenho medo da cobra porque tenho medo da picada dela. A picada consiste na injeção do seu veneno.
Engraçado, há alguns animais que são venenosos mortalmente. E há animais que são venenosos mas não matam, vejam por exemplo as mutucas, insetos que quando picam a gente produzem uma dor danada, que dura uns dois minutos, mas não matam.
Mas, falando em cobras venenosas, há uma de nome exótico: a áspide.
Mas a serpente mais famosa de todas continua a ser a naja, por sinal a cobra que foi retirada de um pote por Cleópatra para suicidar-se com sua picada, depois que ela e Marco Antônio, unidos contra Roma, foram derrotados por Otaviano numa batalha final retumbantemente histórica.
Otaviano queria expor Cleópatra pelas ruas de Roma, mas a rainha egípcia optou pelo suicídio.



quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Raspando digitais... - Ana Barcellos

MALVADOS - ANDRÉ DAHMER



"Os corações se querem
Os corpos se pedem
As mentes não deixam

Quando algo se quebra
Por mais precioso que seja
Torna-se caco cortante

Chega de caco
Chega de sangue
Chega de talvez

Calem-se corpos
Aquietem-se corações
Escolhas sejam aceitas

Não há mais dúvidas
Nem caminhos pelos quais decidir
Agora é raspar dos dedos as digitais"

Macho Alfa - Antonio Prata

  ilustração: Adams Carvalho Anteontem, vejam só, meu pneu furou. Todos aqueles que, como eu, estão neste rolê desde as últimas décadas do s...